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"Tomie Ohtake: múltiplos espaços"

By DM Commerce

21.05 ~ 21.06.2013

Ao completar 100 anos, Tomie Ohtake faz uma retrospectiva do seu trabalho no campo das edições e lança um múltiplo comemorativo.

“TOMIE OHTAKE: MÚLTIPLOS ESPAÇOS”

Curadoria Cauê Alves

São Paulo, 21.05 ~ 21.06.2013

A obra gráfica de Tomie Ohtake é antes de tudo um campo de experimentações. Ao longo de sua trajetória a artista trabalhou com uma noção híbrida e alargada de gravura, tendendo no limite para o múltiplo. A atual mostra traz uma seleção de gravuras das últimas cinco décadas da artista.  Estão presentes desde serigrafias do final dos anos de 1960, passando pelas litografias de 1972 – expostas na mostra Graffica di Oggi da 36ª Bienal de Veneza – até as gravuras em metal realizadas entre os anos de 1980 e 2008, além de maquetes e do múltiplo de 2013.

O percurso gráfico de Tomie Ohtake se inicia com planos de cores chapadas, que aos poucos adquirem texturas, relevos, até ganharem completamente a terceira dimensão. Os recortes de formas gravadas quebram com a ortogonalidade do retângulo e se desdobram no espaço. Montados em placas transparentes, eles são afastados da parede, gerando um vazio interno, próximo ao vazio budista. As sombras criadas pelas formas arredondadas e orgânicas se projetam na parede como se preenchessem o espaço. O passo seguinte foi a ativação do espaço tridimensional a partir de dobras e cores. Impressões de mais de dois metros de comprimento tomam posse de cantos e sobem no teto da sala expositiva, se aproximando do campo da instalação. Ao recorrer à geometria e se projetar no espaço tridimensional esses trabalhos conciliam o aspecto construtivo com o expressivo.  

As gravuras surgiram do contato com a pintura e com a cor, inclusive nas grandes dimensões, e ao mesmo tempo elas influíram no desenvolvimento de trabalhos em outras linguagens, como a própria pintura, mas também a escultura. O gesto fica mais evidente a partir do uso de técnicas de água tinta e água forte. O gráfico se transmuta em caligráfico, como no álbum YU-GEN, em que Tomie Ohtake compôs gravuras a partir de uma série de poemas de Haroldo de Campos sobre o Japão. Escritura e pintura dialogam intimamente e se mesclam nesses trabalhos.

Onipresente na pintura, na gravura e na escultura da artista é a forma arredondada. Linhas e fitas contínuas, espiraladas, elípticas ou circulares, indicam um gesto de voltar-se sobre si mesmo, próprio de uma reflexão silenciosa como a dela. As curvas do múltiplo realizado para a Galeria Carbono insinuam movimentos e também guardam um vazio em seu interior. Como em algumas das maquetes de esculturas em grande escala, a peça promove uma torção das formas e do espaço. Experimentos análogos estão presentes também nas gravuras na medida em que elas se deslocam do plano para o espaço tridimensional. Sem jamais abandonar sua coerência, a obra de Tomie Ohtake nos revela um pensamento gráfico que é pura invenção e experimentação, e se coloca de igual para igual com os outros modos de expressão.  

Múltiplo comemorativo dos 100 anos de Tomie Ohtake

As curvas do múltiplo realizado para a Galeria Carbono insinuam movimentos e também guardam um vazio em seu interior. Como em algumas das maquetes de esculturas em grande escala, a peça promove uma torção das formas e do espaço.

Cauê Alves
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